No coração da nossa aldeia e junto ao Largo do Paço, ergue-se um monumento que é muito mais do que um edifício religioso: é um guardião de memórias. Com a sua fachada barroca e uma história que atravessa séculos, a Capela de São Martinho é hoje, a par da nossa Igreja de São Tiago, o ponto de encontro da fé e da identidade no nosso Amedo.
A história desta capela nem sempre se escreveu entre estas casas. Antigamente, o templo vigiava a região do alto da Serra da Reborosa, junto a um caminho que ligava o Amedo a Luzelos. Reza a tradição que a sua fundação remonta aos tempos áureos da extração do minério na serra.
Com o fim da mineração, o silêncio reclamou o lugar. A capela original, outrora vibrante, sucumbiu ao declínio e à ruína. Diz-se que um cruzeiro terá sido erguido para assinalar o berço desta história, mas o tempo foi implacável: hoje, esse marco dissolveu-se na paisagem, subtraído à memória dos homens. É um fragmento do nosso passado que a serra guardou para si. Contudo, a devoção popular não permitiu que São Martinho caísse no esquecimento; a capela foi 'trazida' para o coração da aldeia, onde se ergue a estrutura atual, datada de 1749.
Recentemente recuperada, a capela encanta quem a visita pela sua simplicidade e cuidado. Ao entrar, somos recebidos por um Altar em Talha Dourada: Um exemplar magnífico de estilo renascentista, que se acredita ter vindo da capela original da serra.
Imaginária: À esquerda, destaca-se a imagem de São Martinho (Séc. XVIII) e, a seu lado, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que o acompanha na devoção dos fiéis.
Arquitetura: Com o seu pavimento em granito e portas orientadas a poente e a norte, o espaço mantém a solenidade ideal para momentos de recolhimento, como a reza do terço.
Um Poema na Fachada: O Amor à Terra
Quem passa pelo frontispício barroco da capela não fica indiferente a uma placa que resume o sentimento de todos os que ali nasceram. Nela, lemos a quadra que toca o coração:
Estas palavras, gravadas junto à pedra secular, lembram-nos que a beleza de um lugar reside nos laços que criamos com ele.
Visitar a Capela de São Martinho é, portanto, fazer uma viagem entre o alto da serra e o centro da vida comunitária. É um convite para apreciar a arte sacra e, acima de tudo, para sentir o orgulho de pertencer a esta terra.
A história diz-nos que a serra guardou este segredo, mas as memórias das gentes são muitas vezes mais fortes que o tempo. Dirijo-me aos nossos guardiões do saber: alguém ainda recorda o local exato onde se erguia a capela original no alto da Serra da Reborosa? Se guardas na memória esse lugar ou se ouviste histórias dos teus antepassados sobre o antigo cruzeiro, partilha connosco. Ajudar-nos-á a completar este mapa da nossa identidade.





👏Muito boa apresentação da capela São Martinho.
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