Ainda a manhã vai gelada, quando o matador desfolha sobre a mesa o seu naipe de facas que irá utilizar na operação de matança e desmancha do animal.
Alguns dos convivas irão segurar o porco, em cada uma das patas e um outro nas orelhas, comandados pelo matador que entretanto afasta quem tenha pena do suíno, não vá o sangue coalhar!
O carrasco desfere então o golpe fatal que se quer rápido e certeiro, enquanto o sangue jorra para o alguidar, o bicho oscila em espasmos violentos na sua luta derradeira.
Durante a queima, limpeza e raspagem, vão-se aceitando apostas relativas ao hipotético peso do animal, cujo acertante, se orgulha do olho que tem para estas coisas.
Já são horas de matar o outro bicho, um vinho generoso e uns bolinhos secos servidos invariavelmente pela dona da casa.
A operação de abertura do porco é sempre um momento de alguma precisão, não vá a afiadíssima faca perfurar alguma tripa e deitar muito do trabalho a perder.
“ Se queres ver o teu corpo, abre um porco” diz um dos convivas, referindo-se ao provérbio que dá conta das semelhanças viscerais entre um e outro animal.
É chegada a altura de retirar as tripas, operação esta, que requer alguma atenção de modo a que nenhuma se rebente.
Aproxima-se a hora do almoço. Com ela vem também a confraternização, razão senão principal, pelo menos importante, pela qual foi sacrificado o cevado.

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